Por Fabíola Andrade
Frequento a Bienal do livro desde os anos oitenta, lá nos
idos do século XX.
Para mim, Bienal sempre foi sinônimo de Festa Literária
Democrática e continua sendo, a pesar dos altos preços praticados pela
organização. Mas essa é apenas uma reclamação minha, enquanto público. Mais uma
a reclamar.
Já curti Bienal como uma mera leitora despretensiosa, como
professora estagiária, caloura, pedagoga maturada, leitora veterana e este ano,
escritora iniciante. Desta forma, não deixo de enxergar a festa literária com
todos esses olhares, que trago de uma vida.
A Bienal estava muito cara, muito barulhenta, muito cheia,
muito, muito... Muitos livros “baratos”; com aqueles precinhos bacanérrimos, que
nós leitores peritos amamos.
Como todos os anos, estandes se desdobraram na decoração,
para atrair um público específico. Não sei se financeiramente foram bem
sucedidos, mas as filas para as fotos eram imensas, como sempre.
Na minha parca visão literária, observei o alvoroço e a
atenção mais direcionada das editoras, para os blogueiros literários, os
formadores de opinião. Confesso que me surpreendeu positivamente. Eram tantos
encontros de editores com blogueiros, que perdi as contas.
O mundo geek/nerd foi mais privilegiado; finalmente deram
destaque aos adolescentes/jovens que são os que realmente lotam a Bienal, em
todas as suas edições. Não desmerecendo o público infantil, para o qual
qualquer festa é um evento tremendamente feliz. O público adulto não precisa de
nada além dos seus livros favoritos, bons preços e os autógrafos, que tanto
presamos.
Bienal é momento para abraços felizes, desabafos lamentosos,
beijos carinhosos, sorrisos felizes, carinhos sinceros, acenos apressados,
gritos abafados, amizades consolidadas ou arruinadas. Em meio a todo aquele
turbilhão, realmente consegue-se separar o joio do trigo; mesmo que o trigo
esteja deslumbrado e o joio abafado. Máscaras caem, sorrisos desmoronam,
abraços murcham, acenos desabam. Parcerias formadas, mãos apertadas,
profissionalismo aprovado, seriedades consolidadas, abraços genuínos, sorrisos
sinceros, acenos verdadeiros, palavras autênticas, opiniões confiáveis e
principalmente; o joio é separado do trigo.
Os estandes de três, cinco e dez reais fizeram a alegria de
todos. Acho que foi impossível sair de lá, sem pelo menos um livro dessas
bancas. Eu trouxe muitos, além das promoções nas editoras menores, que finalmente
perceberam o que atrai o público para suas obras; o preço. Tenha preço e terás
público; quanto mais público, mais vendas. Não precisa ser nenhum economista
para saber disso. E eu estou longe de ser economista.
Agora que acabaram-se os dias felizes, nos sobra o cansaço
reconfortante, pés inchados (os meus ainda estão), dívida no cartão e a certeza
de que ano que vem tem mais. Sampa aí vamos nós... Não esqueçam de recomeçar a
encher o cofrinho.


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