Romances Eróticos
Por Fabíola Andrade
Olá, matilha! Fiz uma pequena pesquisa
pelo universo da internet e achei algumas informações pertinentes, que devo
dividir com vocês.
O romance (temos que começar
do início...) é um gênero literário, proveniente da narrativa, na modalidade
ficção. Esta
modalidade se distingue, estruturalmente, por apresentar uma trama com início,
um clíma (e que clímax...) e uma conclusão. As
produções literárias que se enquadram nessa denominação, trazem um enredo
integral, com marcas temporais, cenários e personagens (e que personagens...) determinados
com precisão.
Nascido
na Era Medieval e tendo como um dos principais exemplos do gênero Dom Quixote,
de Cervantes, (há quem diga, que há uma introdução
no subgênero erótico nessa obra). A
estrutura desse tipo de narrativa é complexa, já que não acomoda apenas um
núcleo, mas várias tramas se desencadeiam durante a narração da história
principal. Recebeu a nomenclatura de romance porque se tornou conhecido a partir do Romantismo, que é
todo um período cultural,
artístico e literário que se iniciou na Europa no final do século XVIII,
espalhando-se pelo mundo até o final do século XIX. Apesar de a sua raiz
ser de antes, do Realismo (2ª metade do
séc. XIX). Os romances realistas são mais fiéis a esse tipo de texto, tanto na
sua estrutura quanto no tipo de abordagem, na crítica social, na descrição
minuciosa, etc. Segundo Hegel (Friedrich Hegel/ filósofo
alemão - 1770/1831), o Romance seria a epopeia burguesa moderna. Essa
denominação se dá ao fato de o Romance se firmar logo depois do crescimento da
industrialização no séc. XVIII, momento em que a epopeia era sufocada, e no
qual o Romance ascendeu, substituindo-a.
Só
que não estou aqui para falar especificamente do gênero romance, por que isso
não me pertence... Quero mesmo é falar do gênero ficção erótico. Que pasmem,
mas desde a Roma antiga, já se conhecia o erótico, não em forma de romance, mas
de epopeia e poesia. Já na Idade Média, a coisa descambava para a sátira e o
obsceno. A partir do séc. XVIII, quando o gênero narrativo romântico ganhou forma e força, surgiram o Marquês de
Sade (na Inglaterra) e o Conde de Mirabeau (na França), que priorizavam mais o
pornográfico em detrimento ao romance. Contudo no final do séc. XVIII Choderlos de Laclos (francês)
publica As Ligações Perigosas, um romance epistolar (não é uma narrativa, são
cartas trocadas entre dois personagens). O livro é considerado uma obra-prima do gênero, pois
adentrou profundamente a mente dos personagens, mostrando seus temores, desejos
e malícias, deixando a sensualidade implícita.
No séc. XIX a literatura erótica perde em qualidade, mas
ganha em quantidade. Muitos livros são publicados, sob a denominação anônima,
em lugar dos nomes dos escritores. No Brasil a poesia de Castro Alves, deixava
o tema erótico implícito.
No séc. XX esse gênero ganha força e nomes expressivos como: Henry Miller (Trópico de Câncer - 1934), Vladimir Nabokov (Lolita
- 1955), Anaïs Nin (Delta de
Vênus - 1978), Anne Rice (Trilogia da Bela
Adormecida - 1983/84/85)
e aqui no Brasil, os exemplos mais profícuos são as poesias que vão
desde Drumond, João Cabral de Melo Neto,
Vinicius de Moraes, Glauco Mattoso a Arnaldo Antunes. Já no gênero
narrativo, a pioneiríssima Cassandra Rios (Volúpia
do Pecado – 1948), Adelaide Carraro (O
Estudante – 1975) e Hilda Hist (O
caderno rosa de Lory Lamby – 1990).
Já no séc. XXI o boom foi com Cinquenta Tons de Cinza (E. L. James - 2011), Crosfire (Sylvia Day –
2012) e Irmandade da Adaga Negra (J. R. Ward - 2005), mas deixa estar que
Lora Leigh e Lisa Marie Rice, conhecidas mais em terras do norte, já exploravam
o gênero, desde o início do novo século.
O Romance hot/erótico sai então da “marginalidade” aqui no
Brasil, a qual foi submetida no séc. XX, (por ser alvo indiscriminado da
censura, no período militar) e passa a ganhar as prateleiras das livrarias
abertamente, haja vista que o pouco que era liberado, ficava oculto, relegado a
esconderijos, para “não macular a família brasileira”. Abria-se aí um leque de
leitores adultos, que se tornam fãs desses escritores, e passaram a frequentar
as livrarias; coisa rara para muitos que nem passavam pela porta, mas que
descobrem nos eróticos o romance que agrada a eles. Por ser direcionado
especificamente para esse público, que via hordas de fãs adolescentes,
alucinadas por escritores e suas sagas fantasiosas e/ou que falavam de amores
imortais. As nossas amadas escritoras bresileiríssimas, vendo que havia público
para o gênero, resolveram se arriscar e se lançam em plataformas virtuais para
escritores.
Em 2012 Nana Pauvolih lança, num blog de uma amiga o romance
erótico A Coleira, pioneiríssimo no gênero nacional do novo século, atraiu uma legião
de fãs, fazendo com que a nossa Diva tomasse ânimo e continuasse a nos brindar
com mais personagens e tramas, saídos de sua mente profícua. Arrastando não só
fãs, mas dando impulso necessário para que novos nomes surgissem no embalo: Bya
Campista (Pele – 2013), Gisele Galindo e Josy Stoque (Insensatez – 2013), Mila
Wander (Despedida de Solteira – 2013), Tatiana Amaral (Função CEO – 2013), e
mais uma dezena de nomes que não cabem aqui, caso contrário eu ficaria só
citando escritoras/es e suas obras.
Não se engane leitor, a qualidade da escrita delas/es, é
muito boa, não deixando nada a dever aos estrangeiros, pelo contrário. Também
um país que tem Machado de Assis, Vinícius de Moraes, Clarisse Lispector, Lygia
F. Telles, Cecília Meireles, Adélia Prado, Raquel de Queiroz, Cora Coralina,
Nélida Piñon... Não poderia decepcionar todos esses (e muitos outros) nomes da
Literatura Nacional escrevendo algo que não fosse no mínimo, excelente.
Logo, se seu gosto literário encaixa-se no Romance Erótico,
arrisque-se no nacional, eu recomendo, tendo a plena certeza de sua total satisfação
literária.
Beijinhos e boa leitura.


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